Dicas de pesca

🌊 Como ler a tábua de maré

A tábua de maré é a previsão dos horários e alturas das marés do dia. No litoral brasileiro o regime é semidiurno: duas preamares (maré cheia) e duas baixamares (maré seca) a cada dia, com cerca de 6h12 entre uma e a seguinte. Ler a tábua é saber a que horas a água sobe, desce e — o que mais importa pra pesca — quando ela está correndo.

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Neste guia
  1. Preamar e baixamar: os dois extremos do dia
  2. Por que o horário muda quase 50 minutos todo dia
  3. Amplitude: a diferença entre cheia e seca
  4. Coeficiente de maré: a força do dia numa escala
  5. Sizígia e quadratura: o ciclo da Lua na tábua
  6. A água andando vs. a estofa: o que de fato importa
  7. Como ler a curva de maré (não só os números)
  8. Cada cidade tem a sua tábua — e por que isso importa
  9. Juntando tudo: leia a tábua pensando na pesca

Preamar e baixamar: os dois extremos do dia

Toda tábua de maré gira em torno de dois eventos que se alternam o dia inteiro. A preamar é o pico da maré alta — a água atinge o nível máximo e para. A baixamar é o fundo da maré baixa — a água chega ao nível mínimo e para. No litoral do Brasil o regime é semidiurno: você tem duas preamares e duas baixamares por dia, intercaladas, com cerca de 6 horas e 12 minutos entre um evento e o seguinte.

Na prática, a tábua é uma lista de horários com a altura em metros ao lado: "03:14 — 1,4 m (preamar)", "09:26 — 0,3 m (baixamar)", e assim por diante. O número em metros é a altura da água naquele instante, medida a partir de um nível de referência da carta náutica daquele porto — não é a profundidade do mar nem a altura da onda.

Por que o horário muda quase 50 minutos todo dia

Se você reparar, a maré não repete no mesmo horário amanhã. Ela atrasa cerca de 50 minutos por dia. O motivo é a Lua: o dia lunar dura 24h50, não 24h exatas, porque a Lua orbita a Terra no mesmo sentido em que a Terra gira — e a Terra precisa "correr atrás" desses ~50 minutos a cada volta. Como a maré acompanha a Lua, ela se desloca junto.

Isso explica por que não dá pra confiar na memória ("semana passada tava boa às 6h"): a janela de hoje pode estar quase uma hora deslocada da de ontem. Por isso o pescador consulta a tábua de maré da própria cidade a cada saída, em vez de chutar pelo relógio.

Amplitude: a diferença entre cheia e seca

A amplitude é a diferença de altura entre a preamar e a baixamar — quanto a água sobe e desce naquele ciclo. Se a preamar é 1,4 m e a baixamar seguinte é 0,2 m, a amplitude é 1,2 m. Amplitude grande significa mais água se movendo no mesmo tempo, ou seja, corrente mais forte.

A amplitude varia muito ao longo da costa brasileira. Em Santa Catarina, na maioria dos dias fica abaixo de 1 metro; já no litoral norte, em São Luís (MA), passa dos 6 metros. Por isso a mesma tábua "forte" significa coisas bem diferentes em Florianópolis e no Maranhão — sempre leia a amplitude do seu ponto, não um valor genérico.

Coeficiente de maré: a força do dia numa escala

O coeficiente de maré é um número, numa escala que vai de cerca de 20 a 120, que resume o quão forte é a maré daquele dia. Coeficiente alto = amplitude grande = mais corrente; coeficiente baixo = amplitude pequena = água quase parada. É a forma mais rápida de comparar dias sem ficar fazendo conta de metro.

De forma geral, vale ler assim:

  • 20 a 45 — fraco: maré morta, pouca corrente. Tende a render menos.
  • 45 a 70 — médio: corrente intermediária, dia honesto.
  • 70 a 95 — forte: maré viva, boa circulação de água e alimento.
  • 95 a 120 — muito forte: sizígia extrema, corrente máxima (às vezes barrenta demais).

O coeficiente sobe e desce num ciclo previsível de cerca de 14 dias, acompanhando a Lua. Ressalva honesta: coeficiente altíssimo nem sempre é o melhor — em costão raso a água pode varrer demais ou ficar barrenta. O ideal é corrente firme, não necessariamente o máximo da escala.

Sizígia e quadratura: o ciclo da Lua na tábua

A força da maré segue as fases da Lua, e a tábua reflete isso. Os dois extremos do ciclo têm nome:

  • Sizígia (maré viva): acontece na Lua nova e na Lua cheia, quando Sol e Lua puxam alinhados. São as marés de maior amplitude e maior coeficiente — as cheias mais cheias, as secas mais secas, e a corrente mais forte.
  • Quadratura (maré morta): acontece nos quartos crescente e minguante, quando Sol e Lua puxam em ângulo. Amplitude menor, coeficiente baixo, água mais preguiçosa.

Sizígia e quadratura se alternam a cada ~14 dias. É por isso que a Lua importa pra pesca: não por magia, e sim porque é ela que comanda a maré que você lê na tábua. A relação completa está em Lua e pesca.

A água andando vs. a estofa: o que de fato importa

Aqui mora o pulo do gato. O que vale pra pesca não é o número da preamar nem o da baixamar em si — é a água andando entre os dois. Quando a maré enche ou vaza, a corrente arranca camarão, siri e peixe-isca dos esconderijos e leva tudo de roldão; o predador economiza energia parado num ponto de emboscada e deixa a comida vir até ele.

A corrente é mais forte no meio da enchente e da vazante — aproximadamente a meio caminho entre uma preamar e a baixamar seguinte. Já a estofa — os ~30 minutos em que a água fica parada bem no pico da preamar ou no fundo da baixamar — costuma matar a pescaria: o alimento para de circular e o peixe desliga.

Lendo a tábua, ache os horários de preamar e baixamar e mire o intervalo entre eles, não o pico. Detalhamos por ponto e espécie no guia Melhor maré para pescar.

Como ler a curva de maré (não só os números)

Quase toda tábua moderna mostra também uma curva — um gráfico em formato de onda onde os topos são as preamares e os fundos são as baixamares. Ela diz muito mais que a lista de horários, porque mostra a inclinação: onde a linha está íngreme, a água está subindo ou descendo rápido (corrente forte, água andando); onde a linha está achatada no topo ou no fundo, é a estofa (água parada).

Na prática: olhe a curva e procure os trechos mais inclinados — é ali que a corrente trabalha. No app do Maré Ao Vivo a curva já vem com a posição de "agora" marcada e a próxima virada destacada, então dá pra ver num relance se a água está andando ou empatando.

Cada cidade tem a sua tábua — e por que isso importa

Não existe "a tábua do Brasil". Cada porto tem horários e alturas próprios, porque a maré depende da geografia local — formato da costa, baías, barras e a distância até onde a onda de maré chega. A preamar em Florianópolis não cai no mesmo horário nem na mesma altura que em Santos ou em Recife.

Por isso, a regra é simples: use sempre a tábua da cidade mais próxima do seu ponto. Pegar a tábua errada é o erro mais comum de quem está começando — perde a virada por horas. Escolha o seu litoral e veja a tábua, o coeficiente e a virada de hoje:

Juntando tudo: leia a tábua pensando na pesca

Resumindo o que importa pro pescador, na ordem:

  • Ache as viradas: anote os horários de preamar e baixamar do dia na sua cidade.
  • Mire a água andando: planeje pescar no meio da enchente ou da vazante, fugindo da estofa.
  • Olhe o coeficiente: dia de coeficiente médio a forte (≈ 60 a 95) costuma render mais corrente sem virar lama.
  • Cruze com o resto: a melhor janela é quando a virada coincide com o amanhecer ou o entardecer — veja melhor horário para pescar. O app ainda mostra vento, ondas, temperatura da água e queda de pressão (a pré-frente), que afinam a janela.

Com a tábua lida desse jeito, você para de pescar pelo relógio e passa a pescar pela água.

Perguntas frequentes

Como ler a tábua de maré para pescar?
Ache na tábua os horários de preamar (maré cheia) e baixamar (maré seca) do dia na sua cidade e mire o meio do caminho entre eles — é quando a água está andando e a corrente carrega o alimento. Evite jogar bem no pico (a estofa), quando a água para.
O que é preamar e baixamar?
Preamar é o ponto mais alto da maré (maré cheia), quando a água atinge o nível máximo e para; baixamar é o ponto mais baixo (maré seca). No litoral brasileiro acontecem duas preamares e duas baixamares por dia, alternadas a cada ~6h12.
O que significa o coeficiente de maré?
O coeficiente, numa escala de cerca de 20 a 120, mede a força da maré do dia. Quanto maior, maior a amplitude entre cheia e seca e mais forte a corrente. Acima de ~70 já é maré viva (sizígia); abaixo de ~45 é maré morta (quadratura), com pouca corrente.
O que é amplitude de maré?
É a diferença de altura entre a preamar e a baixamar de um mesmo ciclo. Se a cheia é 1,4 m e a seca seguinte é 0,2 m, a amplitude é 1,2 m. Amplitude maior significa mais água se movendo no mesmo tempo, ou seja, corrente mais forte — melhor pra pesca.
Por que o horário da maré muda todo dia?
Porque a maré acompanha a Lua, e o dia lunar dura 24h50, não 24h. Como a Terra precisa "correr atrás" desses ~50 minutos a cada volta, a maré atrasa cerca de 50 minutos por dia. Por isso o horário de hoje não serve pra amanhã — consulte a tábua atualizada.
Qual a diferença entre maré de sizígia e de quadratura?
Sizígia (maré viva) ocorre na Lua nova e cheia, com amplitude e coeficiente altos e muita corrente. Quadratura (maré morta) ocorre nos quartos crescente e minguante, com amplitude pequena e água preguiçosa. Elas se alternam a cada ~14 dias.
A tábua de maré é igual em todo o Brasil?
Não. Cada cidade tem horários e alturas próprios, porque a maré depende da geografia local (baías, barras, formato da costa). A preamar em Florianópolis não cai no mesmo horário nem na mesma altura que em Santos. Use sempre a tábua da cidade mais próxima do seu ponto.
O que é a estofa da maré?
É o curto período (cerca de 30 minutos) em que a água fica parada no pico da preamar ou no fundo da baixamar, antes de inverter o sentido. Como o alimento para de circular, costuma ser o pior momento pra pescar — o oposto da água andando.

📍 Pra colocar em prática, veja a tábua de maré, a lua e o tempo da sua cidade: Florianópolis, Santos, Rio de Janeiro — ou escolha seu litoral no mapa.

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